RE-TRATO 

COLETIVA GRUPO BROCA

Re-Trato de um corpo em mutação


O Grupo Broca gerou-se do encontro entre doze mulheres, sendo onze residentes em São Paulo e uma no Rio de Janeiro. Oriundas de diferentes âmbitos da arte com trajetórias e expressões singulares, têm em comum dedicar-se à joalheria como uma de suas práticas artísticas: Clau Senna, kika Rufino, Maria Alves de Lima, Marina Sheetikoff, Miriam Mirna Korolkovas, Miriam Andraus Pappalardo, Nicole Uurbanus, Renata Meirelles, Renata Porto, Samantha Ortiz, Silvia Beildeck e Thais Costa.


O encontro entre estas criadoras de joia se deu em Buenos Aires no simpósio En Construcción I, em 2012. 

O trabalho tomou como ponto de partida a investigação do corpo, tendo cada uma escolhido espontaneamente algum dos elementos que o compõem ou alguma de suas manifestações: Membranas; Pele; Amígdalas; Olho; Útero; Cabelo; Umbigo; Células; Cavidade Toráxica. Mas também: Dislexia; Gestos; Aura. O processo foi permitindo descobrir que esta escolha não se deu por acaso e que um mesmo critério havia conduzido cada uma delas: todas os elementos escolhidos eram portadores da memória de experiências especialmente doloridas resultantes do mencionado enclausuramento do corpo em sua potência de expressão singular. O grupo operou então como suporte para a reapropriação e a reativação desta potência em cada uma de suas participantes, por meio de sua materialização em obra tendo por referência o elemento no qual sua desativação apresentava-se mais contundentemente. O trabalho permitiu abraçar o desafio de retomar o processo de construção de um corpo que se transmuta em função dos efeitos que nele geram as forças variáveis que agitam o ambiente, fazendo da joia um elemento desta construção. Tal desafio é o que guiou basicamente a composição do conceito curatorial da exposição surgida neste processo.

Re-trato transmuta-se em função do tempo e do espaço onde se realiza. Desde 2015 nomadizou por galerias de arte, galerias de jóias, exposições de design, Valparaíso, São Paulo, Lisboa e, agora, Porto Alegre – sempre se repensando e se retransfigurando. Não seria precisamente essa fronteira que o grupo busca borrar, ao fazer a joia revelar-se simultânea e indissociavelmente em sua funcionalidade e em sua condição artística? 

Trecho de texto de Suely Rolnik
São Paulo, março de 2018

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